O Dia de Tereza de Benguela, celebrado em 25 de julho, é uma data dedicada à memória e luta de uma grande liderança negra da história do Brasil. Tereza de Benguela, conhecida como “Rainha Tereza”, foi uma figura marcante na resistência contra a escravidão no século XVIII. Liderando o Quilombo do Quariterê, localizado na atual região do Mato Grosso, Tereza organizou e governou a comunidade quilombola por duas décadas, resistindo as forças coloniais. Sua liderança motivou a luta por liberdade e igualdade, e sua história continua a ser inspiração para as mulheres negras em todo o país.
A data ainda celebra o Dia nacional da Mulher Negra, no Brasil, criada em 2014, para demarcar um dia também de reflexão sobre as lutas atuais que são enfrentadas, como consequências históricas da sociedade escravagista que Tereza combateu.
No Brasil todo acontecem são realizadas ações para demarcar a data e pedir reparação, garantia de direitos e igualdade para as mulheres negras que são as mais afetadas em diveros contextos: emprego, saúde, educação, violência de gênero, acesso a políticas públicas e saneamento básico.
Mulheres Negras no Brasil e no Maranhão
No Brasil, as mulheres negras enfrentam desafios significativos que impactam suas vidas de diversas maneiras. Segundo o IBGE, em 2019, a renda média das mulheres negras era 44% menor do que a dos homens brancos, e 27% menor do que a das mulheres brancas.
Além disso, a taxa de mortalidade materna entre mulheres negras é 65% maior do que entre mulheres brancas. No Maranhão, estado com uma significativa população negra e quilombola, esses desafios são ainda mais evidentes. A realidade das mulheres negras maranhenses é marcada por um acesso desigual a oportunidades de emprego, educação e saúde, refletindo desigualdades históricas e estruturais.
Diante do contexto atual, as mulheres da Rede Emaranhadas buscam contornar as adversidades com a manutenção do bem viver, da terra e dos territórios.
Artistas e artesãs, essas mulheres utilizam a arte como uma ferramenta de resistência e expressão cultural, preservando e valorizando as tradições afro indígenas e maranhenses. Como agricultoras, elas trabalham para garantir a segurança alimentar de suas comunidades, promovendo práticas sustentáveis e respeitosas com o meio ambiente.
A Rede Emaranhadas, por sua vez, atua como fonte de apoio, proporcionando espaços seguros para que as mulheres possam compartilhar suas experiências, aprender umas com as outras e fortalecer suas resistências coletivas, na luta pela proteção e autocuidado das mulheres na Amazônia Maranhense.
Construindo Novas Histórias
São Terezas, Anacletas, Cândidas, Marias e tantas outras que nos mostram que, mesmo diante de um sistema opressor, é possível construir novas narrativas e lutar por um futuro mais igualitário e que garanta os direitos das mulheres. Elas reescrevem suas próprias histórias e a história de suas comunidades, valorizando identidades culturais.
No Dia de Tereza de Benguela, celebramos não apenas a memória de uma grande líder quilombola, mas também a força e a coragem das mulheres negras que resistem e lutam por um mundo melhor. Que suas histórias sejam contadas e reconhecidas, e que sua luta continue a inspirar mudanças positivas na sociedade.