“Nesse mundo nosso, não tem quem ganhe quando a natureza perde”

Com essa frase dita por Dona Máxima Pires (in memorian), liderança comunitária do Rio dos Cachorros (zona rural em São Luís – MA),  presente em nossas memórias e corações por todo ensinamento e legado de luta deixado, refletimos hoje, neste dia internacional do Meio Ambiente, sobre nossa relação com o planeta, nossa casa comum, e a importância que há em preservá-lo de maneira urgente, para que o futuro próximo tenha menos impactos negativos com as mudanças climáticas que já estamos vivendo e sentindo.

Em 2024,o tema proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o 5 de junho é “restauração de terras, desertificação e resiliência à seca” , o que reflete diretamente na restauração de ecossistemas. 

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), bilhões de hectares de terra estão degradados em todo o mundo. A organização destaca que essa degradação já impacta metade da população global, especialmente comunidades rurais e pequenos agricultores, colocando em risco metade do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e potencialmente causando insegurança alimentar em escala global.

Nesse contexto, as mulheres vêm desempenhando um papel fundamental na proteção de territórios e preservação do meio ambiente. São protetoras da natureza e dos recursos naturais, das águas, das terras, das florestas e os protegem a partir de suas práticas de bem viver e relação de consumo sustentável com os bens naturais. 

Foto: Acervo Emaranhadas. Dona Rosa e Dona Antônia, quilombolas e quebradeiras de coco (Pirapemas – MA)

Segundo estudo da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), comunidades com maior participação feminina na gestão dos recursos naturais tendem a ter melhores resultados em termos de conservação e sustentabilidade. Já, em áreas onde as mulheres têm voz ativa na governança florestal, as taxas de desmatamento são significativamente menores.

São guardiãs da Floresta que em comunidades indígenas e quilombolas, protegem seus territórios ancestrais, combatendo o desmatamento ilegal e a exploração predatória dos recursos naturais; preservam a biodiversidade e lutam pela justiça social e ambiental. Como Dona Anacleta, em Santa Rosa dos Pretos, quilombo no interior do Maranhão, e Rosa Tremembé, no território indígena Tremembé, em Raposa (MA).

Já as agricultoras Familiares, por sua vez, cultivam alimentos saudáveis e nutritivos de forma sustentável, utilizando técnicas agroecológicas que preservam o solo. Elas garantem a segurança alimentar de suas comunidades, promovem a saúde e o bem-estar e contribuem para a construção de um sistema alimentar sustentável, como dona Ana Lúcia, em Tendal Mirim, no município de Paço do Lumiar (MA) e tantas outras.

O trabalho com base em economia solidária, por sua vez, baseado na cooperação, na autogestão e na justiça social, busca alternativas para o desenvolvimento local sustentável. Elas valorizam o trabalho humano, a produção artesanal e o consumo consciente, e ainda promovem a geração de renda, a valorização da cultura local e a construção de relações mais justas e equitativas, como o faz Ione Guimarães no Gapara (São Luís-MA).

Preservar o meio ambiente é preservar as pessoas

A proteção dos biomas e da biodiversidade é essencial para a regulação do clima, a produção de água e a segurança alimentar. Defender os territórios das comunidades tradicionais e investir em práticas agrícolas sustentáveis é crucial para garantir um futuro mais verde e justo para todos e são ferramentas comprovadamente eficazes para mitigar os impactos agressivos das mudanças climáticas.

Apoiar as mulheres e os povos tradicionais com seus conhecimentos ancestrais fundamentais para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável, investindo em políticas públicas que apoiem suas iniciativas, promovam sua participação na tomada de decisões e garantam seus direitos territoriais, também é um caminho a ser seguido.

Foto de capa: Capiremov.org

Texto: Polyana Amorim

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