“Eles estão com medo da nossa organização, estão com medo da nossa união, porque eles sabem que podem cair oito ou dez pessoas, mas jamais cairão todos diante da luta por aquilo que é de direito devido ao trabalhador rural”
(Margarida Alves em discurso no dia do trabalhador, em 1983)
Margarida Maria Alves foi uma mulher, mãe, trabalhadora da zona rural da Paraíba e defensora dos direitos dos mais oprimidos. Hoje é um símbolo nacional de resistência e luta por dias melhores no campo, bem como a valorização da mão de obra campesina.
Desde a infância, Margarida teve a vida marcada pela ação truculenta de latifundiários, que expulsaram sua família da terra onde viviam. Quando adulta, tornou-se a primeira presidente sindical do Brasil, estando à frente, por 12 anos, do sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de Alagoa Grande, sua cidade natal. Lá, fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, projeto que, até hoje, colabora para o fortalecimento da agricultura familiar.

Entre suas ações, ela buscava a garantia de direitos trabalhistas para os trabalhadores do campo, como assinatura de carteira de trabalho, pagamento de décimo terceiro, melhor remuneração, redução da carga horária, eliminação do trabalho infantil, entre outras lutas. Em sua trajetória entrou com mais de 600 ações trabalhistas na justiça do trabalho, em prol dos trabalhadores.
Margarida também lutou pelo direito à terra aos trabalhadores para cultivo próprio e criação de escolas para educação das crianças e jovens. O contexto de atuação sindicalista da militante a levou a perseguição pelo regime militar da época, sofrendo intimidações e ameaças de toda ordem, sendo assassinada em 12 de agosto de 1983.
Hoje, o nome de Margarida ecoa nas caminhadas, manifestações e protestos e inspira outras lutas, não só no campo, como dos povos das florestas e das águas. A exemplo da Marcha das Margaridas que já acontece há 22 anos.

O próprio Dia de Luta contra a Violência no Campo também faz referência à Margarida Alves que atuou como sindicalista em sua cidade, na Paraíba, em plena ditadura militar e foi duramente perseguida pelo regime.
A luta da Margarida Alves ainda perdura em outras faces, outras mulheres e homens, que assim ela, também sonham com o pleno direito à terra, ao território e ao reconhecimento de direitos trabalhistas aos trabalhadores rurais.
Com informações de: Brasil de Fato e Fundação Margarida Alves