Ana Regina Arcanjo: corpo-documento e memória da ancestralidade

Ana Regina é maranhense, da cidade de Codó. Veio ao mundo recebida pela avó Amélia De Jesus, na Rua São Sebastião, onde passou a primeira infância. Chegou em São Luís no ano de 1976, com apenas 4 anos de idade.

Sua história de vida e memória afetiva dos lugares por onde viveu é atravessada pela presença de fortes mulheres, sejam avós, tias e professoras, de quem lembra com muita emoção.

Durante todo o percurso de vida e formação, Regina via os estudos e a leitura como aliados de seus caminhos. Na infância, uma das coisas que vinham sempre à sua mente era de “que tinha que continuar lendo e escrevendo sempre!”.

Aos estudos, ela atribui um fator preponderante para sua independência financeira, além dos trabalhos autônomos que exercia. Para ela, a Universidade parecia uma coisa muito distante. Como manicure obteve os primeiros subsídios para garantir o próprio sustento e para cursar a graduação de Turismo, tendo exercido esta função por mais de vinte anos. 

Hoje, ela é arte-educadora. Estudou pedagogia e artes visuais na UFMA e o aprendizado da vida com o academicismo ainda está em transformação. Exerce as funções de guia de turismo, sendo monitora e técnica pelo Senac. “Contar a história nesse caminho, que é o centro histórico, me faz reviver minha própria ancestralidade.” 

A coreira conta ainda que a atual expressão corporal se interliga ao conhecimento da história do Maranhão. Durante a graduação em turismo e hotelaria, Regina foi convidada para conhecer o Centro Histórico de São Luís, onde encontrou o espaço A Vida é uma Festa – que promove um encontro de músicos e artistas locais no Beco dos Catraeiros, Reviver. Lá, ela conheceu, pela primeira vez, o tambor de crioula.

Relação com o tambor de crioula

“Me encontro nesse papel de resistir e de fazer meu corpo movimento no estudo de pertença, de prática na arte e na dança. Sinto meu corpo como documento vivo, uma memória que não consigo deixar de exercer.”

Sua entrada no tambor de crioula foi gradativa, de observadora, ela passou a dançar, compreendendo a dinâmica que permeia a dança. Foram 3 meses de estudo e acompanhamento das rodas, pela cidade, conhecendo os momentos de aquecimento dos tambores, é que foi percebendo que as letras entoadas nos cânticos, por exemplo, derivam da história cotidiana vivenciada pelas pessoas que faziam o tambor. 

Os laços com a dança fizeram-na compreender também melhor os laços com a ancestralidade, com a religião de matriz africana, da qual ela tinha certo temor, por desconhecimento.

Após a descoberta de um câncer de mama, Regina renova seus votos com o folguedo e com a própria vida, considerando um renascimento, depois do processo de cura. A quem ela credita também aos ancestrais e a São Benedito – santo negro e padroeiro do tambor de crioula. 

Por conta da superação do câncer, Regina celebra, anualmente, a vida com um tambor de promessa. Além disso, hoje, reconhecida como referência na cidade e representante da manifestação, Regina é sempre convocada por veículos de mídia para falar sobre o tambor de crioula. 

Além da atuação profissional já mencionada, Regina desenvolve diversos projetos, dentre eles: Corporeira; Catarina Mina, Catirina, Neguinha do Leite, Ana Dejava, tambor de sete saias de São Benedito e ainda produz pimentas e cachaças. 

“Sou Ana Regina Braga Arcanjo. Sou Coreira de qualquer terreiro daqui da Grande Ilha e da baixada. Sou filha de São João Batista. Sou crocheteira e mulher da vida, não da morte”

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