Comunidade de Igaraú: resistência, fé e coletividade

As Emaranhadas visitaram a comunidade de Igaraú, localizada na zona rural de São Luís. A entrada que leva ao bairro é ornamentada por dois pés de jambo. Inclusive em todo o trajeto, fomos recebidas pela vegetação nativa, pés de jambo, coqueiros, palmeiras, juçareiras, entre outras árvores. 

Na entrada da comunidade tem um altar para Nª Senhora de Belém, a padroeira de Igaraú. O clima muda logo. A gente sente o ar mais limpo. 

Com muita área verde, adornando os quintais e calçadas livres de muros e cercas, igrejas, terreiros, e pessoas – em sua maioria afro indígenas, assim autoidentificados, que se relacionam como se fossem da mesma família -, dão o tom e as cores da imagem que Igaraú deixa em nossa mente. 

Chama a atenção que no meio da comunidade existe uma grande área de mata fechada preservada por seus moradores e o território tem esse arranjo circular com esse coração verde pulsando ao centro. Em uma das margens dessa mata, tem a igreja em homenagem à santa padroeira.

O festejo de Nª Senhora de Belém, inclusive, demonstra bem a união dos moradores. Todos doam materiais, mão de obra e tempo para organizar e celebrar a festa. Vemos o conceito de comunidade sendo plenamente vivenciado nas atividades coletivas de Igaraú. 

Os moradores nos contaram que Igarau já foi maior em território e número de famílias, mas uma disputa com uma mineradora, levou boa parte do terreno, removendo muita gente de seus lares. 

Os que permaneceram, resistiram e lutaram, com fé em si e na santa para seguir em seu território. 

No mínimo bicenternária, Igarau é uma comunidade festiva, generosa, que acredita na força do sagrado, das encantarias e, principalmente, na força de sua gente.

O festejo de Nossa Senhora de Belém

O Festejo de Nª Senhora de Belém é realizado há 31 anos em Igaraú. A festa é uma promessa para a santa que, segundo contam os moradores, foi encontrada em uma área da comunidade chamada Pedra Grande.

A comunidade sofreu três ameaças consecutivas de remoção, entre os anos 80 e 90, por conta das atividades da Alumar. Na terceira vez, no ano de 1991, Dona Roxinha pediu proteção à santa pela gravidade da situação. 

Ao ter sua prece atendida, passou a organizar a festa com a colaboração de toda a comunidade em agradecimento à Nª Sr. de Belém. 

A festa é realizada durante todo o mês de janeiro, com missas e ladainhas na igreja que leva o nome da santa, e encerra-se no último domingo de janeiro, em que é realizada uma procissão até a área da Pedra Grande. 

A comunidade organiza-se na divisão das tarefas com produção de alimentos, distribuição de bebidas, confecção das camisas do festejo e demais detalhes de logística. O último dia da celebração possui uma programação bem diversificada.

Ao encerrar a missa da igreja, os moradores seguem em cortejo com a imagem da santa por um caminho de terra e mata, até Pedra Grande. Lá, mais ladainhas são realizadas e a apresentação do terecô de promessa, tocado e cantado pelas mais velhas de Igaraú. Os demais participam dançando e entoando os cânticos puxados pelas tocadoras.

A festa costuma se estender e após a ritualística, há um momento de descontração com almoço, dança e música.

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